Orações populares e orações oficiais: o que a Igreja permite e quando há superstição

Orações oficiais são aquelas orações que foram propostas e reguladas pela Igreja, especialmente dentro da Liturgia e nos livros aprovados, enquanto que orações populares surgem da piedade do povo e são rezadas sem pedir licença, desde que não contrariem a fé. A diferença não está no valor da oração, mas na origem e no enquadramento; por exemplo, a oração do Pai-Nosso é uma oração oficial e as novenas locais são orações populares. A Igreja acolhe as duas, desde que se reze com confiança em Deus e não se use a oração como amuleto.
O que são orações oficiais e orações populares
As orações oficiais podem assim ser definidas como aquelas que foram compostas e sancionadas pela própria Igreja para serem usadas na liturgia particularmente durante a missa e os sacramentos. Essas orações incluem o “Nosso Pai”, o Gloria e o “Credo dos Apóstolos”. Ao contrário as orações populares nem mesmo necessariamente têm uma forma e estrutura formal e geralmente compreendem uma articulação sincera da fé dos crentes geralmente transmitidas de geração em geração. Exemplos são as Novenas e a Litania dos Santos.
A prática cristã não cria nenhum tipo de oposição entre essas categorias diferentes; a Igreja reconhece cinco formas normativas de oração e cada uma delas pode se manifestar tanto na liturgia como na piedade popular.
Orações oficiais da Igreja
Estes são os tipos de orações encontradas em livros litúrgicos e guias de oração manual. O Livro de Oração da ACN compilado sob a orientação do Cardeal Odilo Pedro Scherer combina as principais orações dos cristãos incluindo orações ao final do dia, orações da Missa e também o Santo Rosário. As orações de uma tal agregação retratam como a igreja categoriza e recomenda estas orações para o uso atual.
Orações populares e devocionais
Elas surgem da iniciativa dos fiéis e não requerem aprovação prévia para serem rezadas em particular. Todas estão contidas num único e mesmo manual, juntamente com orações aos santos do Brasil, orações pela família… Um indício de que a piedade popular pode ser acolhida em publicações eclesiásticas. O critério não é a origem erudita ou popular, mas a coerência com a fé da Igreja.

As formas de oração reconhecidas pela tradição cristã
No Cristianismo existem cinco formas normativas de oração, a saber: a bênção e a adoração; a súplica; a intercessão; a ação de graças e o louvor. Estas cinco formas estão presentes na missa e toda devoção popular saudável se enquadra em uma ou em várias delas.
- Bênção e adoração: Reconhecemos a grandeza de Deus e somos humildes diante dele, pois uma bênção é uma via de mão dupla porque Deus nos abençoa e nós o bendizemos de volta.
- Súplica: apresentamos a Deus as nossas necessidades, sobretudo o perdão dos pecados.
- Intercessão: pedimos em favor de outros, inclusive de inimigos e perseguidores.
- Ação de graças: agradecemos em qualquer circunstância, na alegria e no sofrimento, na abundância e na escassez.
- Louvor: reconhecemos a Deus por si mesmo, pelo facto de ele ser Deus.
Estes cinco tipos não são compartimentos estanques. Por exemplo os elementos da súplica, da intercessão e do louvor podem ser incluídos em uma novena. Porém o objetivo principal é fazer com que a nossa oração nos oriente para Deus e não para o nosso próprio poder.
Exemplos de orações presentes na vida oficial da Igreja
Estas orações são: o Pai Nosso, a Ave Maria, Glória a Vós, o Credo dos Apóstolos, o Angelus e as Orações Jaculatórias. Estas orações estão incluídas no Livro de Orações da ACN que contém todas as orações importantes da fé cristã.
Um exemplo é o Angelus; é uma oração mariana que tem várias partes como versículos e Ave-Marias que normalmente devem ser rezadas de manhã e depois novamente ao meio-dia ou durante a tarde. Orações jaculatórias são frases curtas usadas frequentemente pelas pessoas e incluem frases como “Jesus, eu confio em vós!” ou “Meu Deus, creio em vós! Espero em vós! Amo-vos sobre todas as coisas!”.
Além disso existem também as orações ao Anjo da Guarda, as orações antes e depois da Missa, as ladainhas e o Santo Rosário. São bons exemplos onde podemos ver o quanto a Igreja aceita formas simples e formas mais desenvolvidas, desde que o conteúdo esteja em comunhão com a fé.
Detalhe curioso: Eucaristia” significa ação de graças, que é o centro das orações religiosas cristãs que giram em torno de agradecer a Deus pela salvação e pela criação.

Quando a devoção se torna superstição
Uma devoção se transforma em superstição logo que uma pessoa acredita que a oração funciona automaticamente e garante saúde, sorte ou proteção, como se a fórmula bastasse, independentemente da vontade de Deus e da conversão pessoal. A oração cristã envolve a comunicação com Deus, não é técnica.
O teste é direto: A prática de alguém é reconhecer Deus como Senhor da sua vida ou está tentando fazer com que o Senhor da sua vida seja subordinado à prática? Se for o segundo caso isso seria um sinal de superstição. Para mais informações sobre esse assunto pode-se consultar o Catecismo da Igreja Católica que é altamente recomendado.
Confiança em Deus versus uso mágico da oração
Orar com confiança significa colocar o resultado nas mãos de Deus sem exigir isso. De forma mágica uma pessoa coloca o efeito ou no processo de repetição ou na própria coisa e não em Deus. Pode acontecer que as orações sejam populares e mesmo assim seu poder possa ser erroneamente atribuído.
Sinais de alerta em práticas devocionais
Fique longe de garantias irrealistas, fórmulas de sucesso sem qualquer transformação e da fé acompanhada de práticas de adivinhação. Também é um mau sinal se alguém lhe pedir para pagar pela sua oração, especialmente quando essa oração específica não vai funcionar sem algo tangível.
Atenção: Nunca deve aceitar qualquer oração popular como uma fórmula infalível de resultados. Quando se deparar com tais afirmações, confirme com o pároco da paróquia ou com o Catecismo antes de adotar a prática.
Como avaliar se uma oração ou prática é adequada
Como você determina se uma oração ou prática que você quer realizar é adequada? Não há nada complicado no teste desde que você verifique a origem, o conteúdo e sua coerência com a fé da Igreja.
- Verifique a origem: pergunte de onde vem a oração e se está ligada a uma devoção reconhecida ou a uma promessa suspeita.
- Leia o conteúdo: Assegure-se de que seu pedido de oração seja contrário ao sistema de crenças, atribua algum tipo de magia às palavras/objetos ou garanta seu cumprimento.
- Compare com a fé da Igreja: Certifique-se de que a prática se enquadre nas cinco formas de oração discutidas na aula e não entre em conflito com o que a Igreja ensina.
- Consulte o Catecismo: o Catecismo da Igreja Católica é a referência recomendada para esclarecer dúvidas sobre devoção e superstição.
- Fale com o pároco ou com a comunidade: uma opinião local ajuda a distinguir tradição legítima de invenção recente.
Embora esse método não substitua a formação cristã ele ajuda a evitar alguns erros que os cristãos tendem a cometer. Desde que alguém atenda aos primeiros quatro requisitos ele pode orar com segurança.
Onde encontrar orações confiáveis
Para uma oração segura, um é procurar orientação somente de fontes aprovadas e reconhecidas. O livro de orações da ACN que foi organizado pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer que é Arcebispo de São Paulo contém as principais orações do cristão e foi disponibilizado online gratuitamente.
Este manual altamente recomenda seu estudo pois é utilizado como manual doutrinário para esclarecer dúvidas sobre o que constitui superstição ou um ato legítimo de devoção.
Além disso, vale ressaltar que os livros litúrgicos ou as publicações das dioceses são os mais precisos para se encontrar as orações oficiais. Para orações populares, se um texto específico parecer contradizer a tradição do lugar onde é usado e não corresponder a uma adaptação recente sem fundamento, um pároco deve ser procurado.
Dica prática: Salve uma cópia do Manual de Orações da ACN no telemóvel ou imprima as orações que usa com mais frequência para que fique longe de versões alteradas que circulam nas redes sociais.
Perguntas Frequentes
Quais são os 4 tipos de oração?
O culto cristão normalmente vem com cinco modos básicos, os quais incluem bênção e adoração, súplica, intercessão, ação de graças e louvor. O agrupamento de bênção e adoração em um só pode resultar em apenas quatro modos mas todos eles aparecem no serviço da Eucaristia.
Quais são os 3 tipos de oração?
Não existe oficialmente uma lista dos três tipos mas o Cristianismo identifica cinco formas de oração como as normativas: Bênção e Adoração, Súplica, Intercessão, Ação de Graças e Louvor. Porém reduzir a três pode significar omitir a intercessão ou a ação de graças.
Quais são os 7 tipos de oração?
Não existem sete tipos de oração estabelecidos pela Igreja. São cinco as formas normativas: a bênção e adoração, a súplica, a intercessão, a ação de graças e o louvor. Outras classificações podem ser encontradas em textos devocionais, mas não têm o mesmo estatuto.
Quais são os 3 níveis de oração?
No entanto não existe um ensino oficialmente aceito sobre a oração em três graus. Tipos de orações e não graus de oração têm sido tradicionalmente referidos por várias escolas de pensamento. Para assuntos relacionados ao desenvolvimento das orações a fonte preferida é o Catecismo da Igreja Católica.
Rezar uma oração popular é pecado ou superstição?
Absolutamente não. A oração do popular não pode ser considerada um pecado nem uma superstição. A Igreja favorece a piedade popular desde que a oração seja um ato de fé em Deus e não uma fórmula para o sucesso do que você está tentando alcançar. O problema começa quando você atribui poder à oração.
