Intercessão dos santos: como pedir e oferecer orações pelos que partiram

Solicitando ajuda de um santo específico seria como se estivesse pedindo ajuda a um amigo específico. Isso não implica que esse amigo assuma o papel de Deus, ele simplesmente apresenta nosso pedido a Deus em nosso nome. Sabendo da sabedoria da Igreja sabe-se que as orações vêm de santos que residem no céu e isso não diminui o papel de Cristo.
Isso também se baseia no mesmo conceito já que acreditamos que as almas dos falecidos estão vivas com o Senhor e ainda estão em comunhão conosco. Fazemos nossas missas, orações e penitências para o cumprimento dessa comunhão.
- O que é a intercessão dos santos e por que ela importa
- O fundamento bíblico e a tradição da Igreja
- Cristo é o único mediador — e isso não anula os santos
- Como pedir a intercessão de um santo
- Oferecer orações pelos que partiram
- Exemplos de santos que prometeram ajudar do céu
- Cuidados para não desvirtuar a devoção
- Perguntas Frequentes
O que é a intercessão dos santos e por que ela importa
A intercessão é o ato de pedir a alguém que reze por nós. Ao fazer o pedido nunca se deve exigir que o santo faça o que só Deus pode fazer, mas sim pedir-lhe que apresente a Deus a nossa necessidade. O Catecismo da Igreja Católica afirma (§956): “Os fiéis acreditam que os santos que estão no céu nunca param de interceder por eles junto a Deus.
Uma ponte entre o céu e a terra
A imagem que a Carta aos Hebreus usa é a de uma nuvem de testemunhas que nos cerca (Hb 12,1). Não é um público distante a assistir. É gente que já chegou ao fim da corrida e continua a acompanhar quem ainda corre. A comunhão dos santos significa precisamente isso: a Igreja no céu, a Igreja na terra e a Igreja em purificação não são três grupos separados, mas uma só família.
A comparação com pedir oração a um amigo
É muito comum uma pessoa doente enviar mensagens pedindo que as pessoas orem por ela. Ninguém acredita que essas pessoas estejam no lugar de Deus. Mas os santos já vivem na presença de Deus enquanto nós pedimos a outros crentes que orem por nós apenas porque nossas condições são diferentes.
Uma ideia simples: Rezar através de um santo é falar com seu irmão mais velho na fé e não com uma divindade. Quando as orações sobem, elas sempre sobem acompanhadas.

O fundamento bíblico e a tradição da Igreja
A tradição de invocar os santos não é algo que foi inventado recentemente. Pelo contrário, tem um fundamento bíblico e surgiu bem no início da história da própria Igreja.
Em Tiago 5,16 lê-se que a oração do justo tem grande eficácia. Se isso vale para os justos que ainda caminham na terra, vale também para os que já estão plenamente com Deus. Em Hebreus 12,1, os santos formam a nuvem de testemunhas que nos rodeia. E no Apocalipse aparecem no céu as orações dos santos, num contexto claro de intercessão.
Os primeiros cristãos e os túmulos dos mártires
Inicialmente os cristãos celebravam a missa nos túmulos dos mártires para interceder por eles. Eles não constituíam uma tradição marginal mas sim faziam parte da liturgia. O Concílio de Trento já afirmou explicitamente há pouco tempo atrás que “é bom e benéfico orar aos santos”.
E também existe uma tradição antiga ainda observada: Dar aos filhos nomes de santos garantindo assim que desde os primeiros anos eles sempre tenham um protetor no céu. É apenas um simples lembrete de que nunca estamos sozinhos em nossa jornada de fé.

Cristo é o único mediador — e isso não anula os santos
“Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens e a intercessão dos santos não afeta em nada esse fato nem introduz outro mediador.” “E que a intercessão dos santos é inútil fora da sua mediação é manifesto.”
Por que toda intercessão passa por Cristo
Os santos não têm poder próprio para atender pedidos. Os santos mostram a Deus os méritos que alcançaram aqui na terra, e esses são todos através de Cristo. Sua mediação é participada; não é paralela. É como se eles fossem o reflexo da lua — eles refletem a luz, mas não é a luz deles próprios.
Essa é a razão pela qual a Igreja sustenta que a intercessão dos santos, e de modo especial a de Nossa Senhora, não substitui a única mediação de Cristo mas sim a reforça. A fonte continua a ser a mesma.
Pedir, não adorar
Existe uma diferença que vai ajudar a esclarecer muitos mal entendidos. Os intercessores são orados pelos santos. Só Deus é adorado pelo povo. É a capacidade de Deus que responde à oração, os santos apenas oram e não respondem ao pedido da oração.
Atenção à linguagem: No entanto, frases como «este santo resolve tudo» ou «não saio de casa sem ele» podem criar a ilusão de que o poder vem da própria figura santa. Não, o favor vem de Deus enquanto o santo serve como companheiro de oração.
Como pedir a intercessão de um santo
Não há nenhuma obrigação de uma fórmula específica. O importante é que devemos dirigir nossa oração com convicção ao santo pedindo que ele reze por nós. Uma opção fácil e tradicional é…
- Escolha um santo com quem você se identifica: o santo do seu nome, o santo do seu país ou qualquer outro santo cuja história te toque. De acordo com a Igreja os pais devem dar aos seus filhos o nome de santos para garantir a presença de um protetor celestial.
- Assine a cruz no seu peito porque você vai estar em conversa com o seu Criador e não com algum personagem do seu livro de história.
- Apresenta o pedido com palavras tuas, como falarias com um amigo. Diz o que precisas e porquê.
- Pede a intercessão, não o milagre: «São [nome], reza por mim a Deus para que…». A frase pode ser esta ou outra; o importante é que fique claro quem pede e a quem se pede.
- Com a oração a Deus, a maioria das vezes sendo a oração do Senhor, no final assim a petição pode voltar à fonte de todo o bem.
- Mantém o hábito: a devoção cresce com repetição simples, não com fórmulas complicadas.
Se houver um apelo para ter um texto de oração, pode-se optar pelas orações que a Igreja propõe para cada santo. No entanto, não é obrigatório usar texto fixo, pode-se orar espontaneamente do próprio coração.

Oferecer orações pelos que partiram
A oração pelos falecidos é um ato de fé na comunhão dos santos que une o povo de Deus. Desde tempos imemoriais a Igreja sempre ensinou que quem passou pela vida em plena santidade logo entrará na comunhão com Deus após a morte. Uma vez que essa pessoa esteja com Deus, ela continua viva e pode ser alcançada pela nossa oração.
Quem já está na comunhão com Deus
Se nós rezamos pelos falecidos não significa que podemos de alguma forma salvá-los através da nossa força mas o que nós fazemos aqui é simplesmente pedir a Deus que complete neles aquilo que já começou. Para quem morreu em amizade com Deus, a oração é sobretudo ação de graças e pedido de plenitude.
A tradição de rezar sobre os túmulos
Desde os primeiros séculos, os cristãos celebravam Missas sobre os túmulos dos mártires pedindo a sua intercessão. De fato a proximidade entre oração e sepultura revela que a morte não consegue romper os laços com a comunidade. Oferecer uma Missa por um falecido é uma das formas mais antigas e mais valorizadas de sufrágio.
Além da missa existem gestos simples: a oração do rosário, o acendimento de uma vela, a realização de um pequeno sacrifício, a doação de esmolas. Eles não compram nada para Deus. Nada ele ganha através deles senão o amor.
Por que os mortos em Cristo continuam presentes
São almas que entraram na vida eterna através da sua união com Cristo. Portanto parece tolo de nossa parte deixá-las de fora das nossas orações. Porque o grande motivo que explica tudo mais é este: Nós nunca oramos por elas como se estivessem mortas mas como se estivessem muito vivas!
Detalhe histórico: A tradição de celebrar a Eucaristia em memória dos que morreram remonta a antes mesmo do tempo em que o cânon da Escritura foi fixado. Ela já aparece em textos cristãos dos primeiros séculos.

Exemplos de santos que prometeram ajudar do céu
Existem dois santos que deixaram frases que expressam essa confiança de maneira linda. São Domingos, ao se despedir de seus irmãos, já disse um dia: “Não chorem” Pois seria mais útil após a morte e os ajudaria mais eficazmente do que durante a vida. Essa garantia não é dele, é de Deus que o ouve.
Ela fez um promessa durante sua jornada celestial de continuar praticando atos de bondade aqui na terra. Essa frase pegou e se tornou muito popular entre vários santos que acreditam nessa ideia, que a intercessão não é contra a caridade, mas sim sua forma perfeita.
Nenhum deles é uma fórmula mágica, mas sim exemplos de uma convicção que atravessa a história da Igreja: quem morre em Deus não fica inativo.
Cuidados para não desvirtuar a devoção
A devoção aos santos é saudável quando mantém Cristo como o foco principal. Perde-se quando os santos assumem um lugar que pertence somente a Deus. Aqui estão alguns cuidados práticos que ajudam a evitar exageros…
- Não tratar os santos como deuses. Só Deus tem o poder de atender efetivamente à oração; os santos rezam por nós.
- Não peça a eles o que somente Deus pode fornecer. A graça, o perdão e a salvação vêm de Deus, e somente Deus pode fazer isso através da Sua graça.
- Manter a mediação de Cristo como fundamento. Sem Ele, nenhuma outra intercessão teria valor.
- Não seja supersticioso. As orações não funcionam por repetição automática nem por objeto usado, mas pela fé de quem reza e pela bondade de Deus.
- Equilibrar as devoções. A vida cristã não se reduz a pedir favores; inclui adoração, sacramentos e caridade concreta.
Mas se as práticas religiosas de alguém o fazem sentir medo e dependência é melhor conversar com um sacerdote, pois a fé católica não espera que seus praticantes tenham medo; pede confiança filial.
Perguntas Frequentes
Como rezar pedindo a intercessão de um santo?
Fale com confiança ao santo e peça-lhe que reze por você. Pode usar palavras suas ou uma oração escrita pela Igreja. O importante é deixar claro que o propósito do diálogo seja pedir a intercessão em vez da adoração, seguida de uma oração a Deus, como o Pai-Nosso.
Quais são os pilares da intercessão?
A intercessão assenta na comunhão dos santos; ela assume a mediação única de Cristo e a eficácia da oração do justo. Os santos não substituem Cristo; apresentam a Deus os méritos que dele receberam.
Qual é a oração para pedir a Deus pelos que já partiram?
No entanto não existe uma fórmula obrigatória. Pode-se dizer suas orações livremente pedindo ao Todo Poderoso Senhor que aceite esta alma com Ele e a leve à plenitude. Também existe outra formalidade que inclui a Missa pelo falecido.
Posso pedir a intercessão dos santos por alguém que faleceu?
Sim. Não há mal algum em orar por um parente falecido através da intercessão de um santo como se ele estivesse vivo ou como se fosse seu amigo vivo aqui na terra. Porém sua súplica será feita no final das contas somente diante de Deus.
Rezar pelos mortos contradiz a mediação única de Cristo?
Não, nada disso funciona. Toda a intercessão em seu favor é feita por Cristo e Ele sozinho age como mediador. Orar pelos mortos significa confiar na mediação de Cristo e na comunhão dos fiéis.
