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Sucessão apostólica: como a autoridade de Cristo chegou até o Papa Francisco

250px Episcopal ordination of bishop Maurizio Malvestiti

A sucessão apostólica é um ato de transmitir a missão e a autoridade que Cristo deu aos seus Apóstolos até os dias de hoje através do processo da ordenação episcopal no qual cada bispo é consagrado por Deus e forma um elo sacramental com a Comunidade da Igreja de Jesus. O Papa Francisco sendo o Bispo de Roma e sucessor de Pedro simboliza a continuidade do processo acima mencionado.

O que é a sucessão apostólica

A sucessão apostólica se refere à transmissão da missão e da autoridade dos apóstolos aos bispos através da prática da “imposição das mãos” e da oração consecratória. Esse processo sacramental, da perspectiva da Igreja Católica, não se limita apenas a transmitir a história e a tradição, mas também a conferir o Sacramento da Ordem, que permite à pessoa ordenada ensinar, santificar e governar em nome de Cristo.

Transmissão da missão apostólica

Era necessário que Cristo institui-se um ministério que estabelecesse e mantivesse a ordem dos sacerdotes dentro da Igreja. Esse ministério deveria ser perpetuado através dos séculos pelos apóstolos numa cadeia de sucessão ininterrupta. O princípio da sucessão apostólica não é apenas um acréscimo tardio mas sim uma necessidade ditada pela natureza da Igreja.

O caráter apostólico da Igreja está ligado ao ministério apostólico e sua sucessão, que formam uma estrutura eclesial indispensável da Igreja a serviço de todos os cristãos. A sucessão apostólica é um dom que não é um privilégio de poder mas sim um serviço à fé e à unidade.

Doutrina e sacramento

Como doutrina, a sucessão apostólica se refere a uma compreensão de que existe uma continuidade entre a Igreja atual e a Igreja dos tempos dos Apóstolos. Por outro lado, como sacramento, ela se realiza através do processo de ordenação episcopal, no qual o bispo adquire um caráter definitivo e o dever de guardar e transmitir a fé recebida.

Um vínculo que atravessa os séculos: A sucessão apostólica é explicada como sendo o canal visível e instrumental pelo qual a graça e a autoridade de Cristo são continuamente transmitidos à Igreja de hoje.

Bispos em oração com imposição das mãos durante ordenação episcopal em catedral católica

O fundamento apostólico na Escritura

O Novo Testamento prova que a estrutura apostólica foi instituída por Cristo e perpetuada pela comunidade primitiva. Estes testemunhos incluem o chamado dos Doze, bem como a escolha de Matias e a comunhão de Paulo com os apóstolos.

O chamado dos Doze

A Apostolicidade tem um duplo sentido: um sentido histórico pois esta instituição remonta a um ato de Cristo, o chamado dos Doze quando Ele começou sua missão terrestre. O segundo sentido é o espiritual pois a ressurreição confirma essa estrutura pré-pascal colocada por Cristo, já que Cristo fez dos Doze as testemunhas privilegiadas de sua ressurreição.

Os Doze não surgiram da comunidade pós-Páscoa. A primeira fórmula da profissão de fé no Cristo Ressuscitado reconhece o testemunho de Pedro e dos Doze como o primeiro sinal de sua origem divina e não apenas uma escolha humana.

A escolha de Matias

Após a deserção de Judas e antes de Pentecostes, houve uma tentativa de que o grupo dos apóstolos escolhesse outro discípulo que tivesse acompanhado Jesus desde o batismo, para ser testemunha de sua ressurreição, já que ele estava presente desde o início de seu ministério depois que Ele saiu da água.

A comunhão de Paulo com os Doze

Apesar de ter sido chamado pelo próprio Ressuscitado e inserido no fundamento da Igreja, Paulo entendeu que era necessário para ele estar em comunhão com os Doze. Este é um dado muito essencial pois significa que a autoridade apostólica não se exerce isoladamente, mas em comunhão com o colégio apostólico.

Representação artística de Pentecostes com os apóstolos reunidos e línguas de fogo

Como a doutrina se desenvolveu na história da Igreja

A doutrina da sucessão apostólica não surgiu do nada. Ela se desenvolveu ao longo do tempo conforme a Igreja passava do tempo apostólico para a era pós-apostólica. Já no segundo século essa doutrina já estava formulada com clareza.

Do tempo apostólico ao pós-apostólico

Em nossa literatura pós-apostólica a Escritura está testemunhando a Tradição e ao mesmo tempo começa a manifestar-se o Magistério a respeito dos ensinamentos dos apóstolos. A comunidade cristã precisava de certos critérios para distinguir a fé autêntica das interpretações particulares.

O Magistério reflete sobre a Tradição e os Escritos que transmitem o ensinamento de Cristo e também regulam a doutrina que a Igreja proclama a todos os povos. É isso que levou a sucessão apostólica a ser um dos critérios de comunhão com a fé primitiva.

A explicitação no segundo século

A noção da Sucessão Apostólica se concretizaria durante o segundo século. Neste período em especial houve controvérsias em torno de crenças dentro da igreja que tinham que provar sua legitimidade ao público demonstrando que os bispos são na essência os herdeiros da mensagem apostólica.

A sucessão não era apenas uma questão administrativa. Significava que a fé ensinada nas comunidades estava de acordo com a fé dos apóstolos. É aqui que se pode ver o papel do bispo tanto como líder da comunidade como também como guardião da tradição recebida.

Padres da Igreja antiga em manuscrito ou mosaico paleocristão

Como a sucessão é transmitida concretamente

A sucessão apostólica transmite-se concretamente através de uma ordenação episcopal. Um bispo ordena outro bispo com o ato de colocar as mãos e com uma oração consecratória, concedendo-lhe assim o sacramento da Ordem que tem uma ligação ininterrupta com os Apóstolos.

a imposição das mãos juntamente com a oração de consagração. A tradição litúrgica evoluiu fórmulas e sinais complementares mas o gesto fundamental é idêntico ao que era praticado desde a antiguidade cristã.

  1. Escolha do candidato: a comunidade e a autoridade eclesiástica discernem quem será ordenado bispo, garantindo idoneidade e comunhão com a Igreja.
  2. Aprovação e contexto de comunhão: A ordenação acontece em comunhão com o Papa e com o Colégio Episcopal, assim a sucessão não é apenas um ato individual mas sim um ato comunitário.
  3. Imposição das mãos: o bispo ordenante, ou vários bispos, impõem as mãos sobre o eleito, transmitindo o dom do Espírito Santo.
  4. Oração consecratória: A Igreja pede a Deus a graça do ministério episcopal, pedindo que o Espírito Santo faça com que o ordenado seja fiel à missão que recebeu.
  5. Inserção no colégio episcopal: Ele é assim membro do corpo colegiado dos bispos que estão em comunhão com o sucessor de São Pedro, assumindo a responsabilidade de ensinar, santificar e governar.

Existe uma sucessão ininterrupta começando com um bispo passando para o outro a entrega do sacramento da Ordem que tem um selo permanente nele. A sucessão apostólica portanto nunca será influenciada pela santidade pessoal mas somente por Deus e a fidelidade do próprio sacramento.

Para observar numa ordenação: O ponto central é a imposição das mãos em silêncio seguida da oração consecratória. É aí que se torna evidente a transmissão real da missão apostólica.

Detalhe de mãos de bispos impostas sobre a cabeça de um ordenando

De Pedro ao Papa Francisco: a continuidade do ministério petrino

Outro ponto que pode ser incluído a respeito da sucessão apostólica está ligado ao ministério de Pedro e à comunhão com o Papa. Os católicos acreditam que Cristo delegou sua autoridade aos apóstolos, especialmente a Pedro, e que essa missão nunca terminou graças à sucessão apostólica. O Papa Francisco é o sucessor de Pedro na Sé Romana.

O serviço de Pedro

No caso de Pedro houve um encargo que ele teve que assumir de Cristo a fim de confirmar seus irmãos. Esse encargo colocou Pedro no serviço da fé apostólica e não o fez ficar acima da fé apostólica. O ministério petrino é, portanto, um serviço de comunhão e de guarda da fé recebida.

A continuidade e a autoridade da Doutrina existem na comunhão com o Papa, o fiel sucessor de São Pedro. O papel dos Bispos não se limita apenas a conservar mas também a ensinar essa mesma doutrina com fidelidade, sem nenhuma ruptura essencial, para proteger a fé de possíveis erros ao longo desses séculos todos.

A comunhão com o sucessor de Pedro

A comunhão com o Pontífice constitui um símbolo da unidade da doutrina. Neste caso não se trata de uma questão de administração centralizada mas sim de uma comunhão destinada a garantir a abertura da Igreja Particular para outras Igrejas Cristãs. A comunhão com a linha apostólica implica a unidade com a fé dos Apóstolos.

O Papa Francisco exerce esse ministério como bispo de Roma. A sua autoridade não substitui a dos bispos, mas confirma e coordena a comunhão entre as Igrejas. A sucessão apostólica não é uma cadeia de poder, mas uma rede de comunhão.

Papa Francisco presidindo celebração na Basílica de São Pedro

Por que a sucessão importa para os sacramentos

Uma sucessão apostólica é um pré-requisito necessário para a administração válida do Sacramento da Eucaristia. A legitimidade da Eucaristia se baseia na sua celebração na linha ininterrupta da sucessão da ordenação de padres para realizarem tais Sacramentos a partir da Última Ceia de Jesus Cristo. A ausência de tal linhagem resultaria em incerteza quanto a validade da Eucaristia.

A sucessão apostólica é um dos fundamentos mais importantes do dogma e faz parte necessária dos sacramentos. Ela garante que a Igreja de hoje esteja ligada àquela fundada por Cristo e pelos seus Apóstolos.

Isso não é um garantia automática da santidade dos ministros no verdadeiro sentido da palavra. Isso indica que as operações de Cristo através da Igreja não se apoiam totalmente na moralidade da pessoa que realiza a ação mas sim na fidelidade de Cristo e na dos sacramentos.

Sacerdote celebrando a Eucaristia durante a missa

Mal-entendidos comuns sobre a sucessão apostólica

A sucessão apostólica não pode ser considerada um processo histórico ou formal. Não é nem uma história formalizada nem uma promessa de perfeição moral e santidade por parte do indivíduo. Saber disso nos impede de cairmos em dois abismos: tratar a sucessão apenas como um pedigree e colocar exigências sobre ela que vão além de suas capacidades.

Não é apenas uma linha histórica

A sucessão apostólica não é apenas uma lista de nomes. A sucessão apostólica está ligada à apostolicidade, que é comum a toda a Igreja como ela vive sob a norma da Igreja primitiva. O elemento histórico importa embora o significado do conceito não se esgote nele.

Os Símbolos da Fé admitem que a natureza apostólica da Igreja não se limita apenas à sua confissão inabalável da Fé Apostólica mas sim à sua existência dentro do quadro das normas da Igreja Primitiva as quais são declaradas pelas primeiras testemunhas de Cristo e regidas pelo Espírito Santo. A Sucessão Ministerial existe para servir essa apostolicidade global.

Não substitui a santidade pessoal

A sucessão apostólica não implica automaticamente que aqueles que a recebem sejam necessariamente santos. Tampouco o fato de ser um bispo ou um presbítero implica automaticamente que ele deixa de ser um ser humano com liberdade e responsabilidade. A eficácia da graça não depende do mérito do ministro, mas isso não dispensa a conversão pessoal.

Nem é adequado confundir o conceito de sucessão com o de infalibilidade em todos os processos de tomada de decisão por mera factualidade. Isso porque sempre que a infalibilidade ocorre ela envolve certos requisitos e contexto relacionados ao serviço da fé.

Cuidado com simplificações: Manter que «a sucessão garante tudo» ou que «ela não garante nada» são posições simplistas a se tomar. A sucessão garante a continuidade sacramental e o vínculo com os Apóstolos, porém não pode substituir a fidelidade pessoal e o discernimento eclesial.

Perguntas Frequentes

O que é a sucessão apostólica em termos simples?

Isto é a transmissão da missão e da autoridade dos apóstolos aos bispos através do processo de ordenação episcopal na igreja. Isso ocorre através da imposição das mãos e das orações de consagração que ligam cada bispo à comunidade estabelecida por Cristo.

Quem foi o último apóstolo a morrer?

De acordo com a tradição cristã João foi o mais velho dos discípulos mas a história não nos dá nenhuma data exata quanto a sua morte. Nem o Novo Testamento nem outras fontes apresentam qualquer informação cronológica sobre este assunto. Portanto devemos ter cuidado pois pode não existir nenhuma informação exata sobre este assunto.

Quem foi o fundador da Igreja Católica Apostólica?

De fato não há um fundador da Igreja Católica a qual se supõe ter sido fundada pelo mesmo Jesus Cristo que chamou os Doze e confiou a Pedro uma missão particular, a pedra sobre a qual Cristo edificou sua Igreja. O termo fundador não se aplica a uma pessoa humana, mas sim diretamente a Jesus Cristo, que instituiu a Igreja e a dotou de uma estrutura apostólica.

Como se prova historicamente a sucessão apostólica?

Evidências da história incluem referências de textos antigos como listas de bispos dos lugares onde os apóstolos estabeleceram as sedes bem como os testemunhos dos Pais da Igreja os quais conseguiram estabelecer essa noção de sucessão já mesmo a partir do segundo século. Isso implica um certo elo ou continuação dos próprios apóstolos.

Qual a diferença entre sucessão apostólica e apostolicidade da Igreja?

A Apostolicidade é um atributo da Igreja inteira; a Apostolicidade é o caráter da Igreja no sentido de que ela mantém a fé dos Apóstolos bem como se mantém pelos padrões da Igreja Primitiva. A Sucessão Apostólica é uma forma particular de Ministério que garante a continuação dessa missão apostólica na Episcopado. São dois conceitos conectados mas diferentes um do outro.

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