Planejamento familiar natural: o que a Igreja Católica ensina sobre os métodos de regulação da natalidade

A Regulação da Nascimento e o Planejamento Familiar Natural são aprovados pela Igreja Católica. Em outras palavras a doutrina católica diz que não é errado espaçar os nascimentos dos filhos com base em boas intenções e através da integridade física e do envolvimento dos parceiros. O método artificial do controle de natalidade é oposto pois não se enquadra no contexto da família e do amor.
O que a Igreja entende por regulação da natalidade
Esta regulamentação dos nascimentos segundo a Igreja não constitui um assunto de controle populacional mas sim de responsabilidade dos pais. O planejamento familiar segundo a Igreja se refere a uma escolha deliberada de determinar o número de filhos e o momento adequado de tê-los levando em consideração as condições do casal e os desígnios de Deus.
Paternidade responsável
Segundo a Amoris Laetitia (n. 167), a paternidade responsável não é procriação ilimitada nem falta de consciência sobre o que é necessário para criar os filhos. É a capacidade dos cônjuges de usar sua liberdade de modo sábio e responsável, considerando realidades sociais, demográficas e a própria situação. A moral cristã afirma a responsabilidade na procriação, a bondade da intimidade conjugal e que a decisão do número de filhos pertence ao casal.
Espaçar os filhos por razões justas
O Códice de Direito Canônico (CIC 2368) reconhece que por razões legítimas pode ser prudente que haja um intervalo entre os nascimentos de casais casados. “Humane Vitae” (nº 10) afirma que para esse fim os casais devem praticar a abstinência temporária da concepção ou mesmo indefinidamente sem conceberem, desde que haja um motivo justo e a adesão à moralidade. Não busca qualquer predeterminação do número de filhos mas simplesmente pondera com base nos seguintes critérios:
Decisão do casal
É responsabilidade de cada casal decidir quantos filhos terão e nenhuma outra autoridade tem o direito de interferir aqui. E quando utilizam o planejamento familiar natural é importante que seja feito de forma responsável, em diálogo e oração, em busca da harmonia entre a generosidade e a prudência.

Quais métodos naturais a Igreja recomenda
A igreja incentiva o uso de várias técnicas naturais de planejamento familiar que se baseiam na observação dos sinais do corpo da mulher para detectar os períodos em que ela pode conceber e os períodos em que ela não pode. Conceitos como a Técnica Billings (Técnica do Muco Cervical), a temperatura basal, o gráfico (Técnica Knaus-Ogino) e a observação do colo do útero são alguns dos métodos mais comuns utilizados, e a combinação de métodos e o acompanhamento por pessoal treinado aumentam a eficácia.
- Método Billings ou do muco: É um método de identificação do início e do fim da fertilidade através da observação do muco cervical. Uma mulher pode observar as mudanças através da auto-observação.
- Temperatura basal: Ela mede diariamente a temperatura ao acordar; a temperatura corporal sobe após a ovulação, consequência de mudanças hormonais, logo o fim do seu período fértil.
- Tabelinha (Knaus-Ogino): método rítmico que se baseia no ciclo ovulatório e recomenda abstinência sexual entre o 10º e o 20º dia do ciclo menstrual.
- Observação do colo do útero: As mulheres podem detectar variações na posição e no tom do seu útero antes da ovulação, durante a ovulação e depois da ovulação.
- Combinação e acompanhamento: O conhecimento dos métodos e do próprio corpo é um pré-requisito crucial que aumenta a eficácia através do uso de dois ou mais métodos. Esses métodos nunca devem ser utilizados por cônjuges sem orientação de pessoal treinado.

Por que a Igreja prefere os métodos naturais
Abordagens naturais são favorecidas pela Igreja Católica pois respeitam a integridade física da pessoa e o laço entre o amor e a vida no ato conjugal. A crença é de que o uso de métodos de contracepção artificiais é moralmente inaceitável quando se trata de regular a natalidade.
Significado unitivo e procriador
Essa doutrina enfatiza o vínculo indestrutível que existe entre essas duas interpretações da união, que são a univa (do amor) e a procriativa (geradora da vida). No Encíclica Humanae Vitae (nº12) é afirmado que ao proteger ambas as dimensões da união o ato do casamento mantém sua plena significação como o verdadeiro amor mútuo voltado para a paternidade.
Rejeição dos métodos artificiais
O Evangelium Vitae (n. 91) destaca que é moralmente inaceitável promover ou impor qualquer forma de contracepção para regular a natalidade. Os meios naturais segundo a Igreja Católica são os únicos caminhos lícitos e moralmente aceitos para alcançar esse fim. E não é um desprezar a ciência mas sim uma preservação da plenitude do ato sexual e da dignidade da pessoa.
Qual é o objetivo do planejamento familiar segundo a doutrina
A visão católica sobre o planejamento familiar não é para limitar as famílias a planejarem um número específico de filhos. O objetivo aqui é viver a paternidade responsável e aberta à vida, e não fixar um número predeterminado de filhos.
Abertura à vida
O Humanae Vitae (n. 16) aponta que, havendo motivos sérios para o distanciamento dos nascimentos, é permitido o uso dos períodos infecundos para o controle da natalidade sem se contrapor à moral. É importante entender que a abertura à vida permanece como atitude fundamental mesmo quando se evita temporariamente uma gravidez. A confiança deve ser colocada na Providência, e os filhos devem ser acolhidos como dom.
Espaçar não é o mesmo que limitar
Os documentos do Magistério falam em espaçar os nascimentos por razões justas, não em planejar um número fixo de filhos. A diferença é crucial: espaçar é uma decisão prudencial e reversível, enquanto limitar definitivamente contraria a abertura à vida. A Amoris Laetitia (n. 167) reforça que a paternidade responsável considera as circunstâncias, mas não fecha o casal a novos filhos de forma absoluta.
Como um casal pode começar a praticar
O treinamento é essencial para o casal se eles precisarem começar a praticar o planejamento familiar natural. Isso significa que o casal deve buscar formação com pessoas treinadas e conhecerem mais sobre si mesmos e o próprio corpo para escolherem os métodos adequados à sua realidade, com paciência e diálogo.
- Encontre um professor educado de técnicas naturais semelhantes às promovidas pela Liga de Planejamento Familiar Natural ou outros locais de ensino de planejamento familiar natural em igrejas.
- Estude os métodos (Billings, temperatura basal, tabelinha, colo do útero) e entenda como cada um funciona.
- Observe o próprio corpo diariamente, anotando muco cervical, temperatura e outras mudanças, para identificar os períodos férteis.
- Combine dois ou mais métodos para aumentar a eficácia, conforme orientação do instrutor.
- Dialogue com o cônjuge e, se necessário, busque acompanhamento espiritual para discernir os motivos justos para espaçar os filhos.

