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Escolher os cantos certos para cada momento da Missa: um guia prático

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A solução para a maioria das questões pode ser resumida de forma simples: o canto deve servir ao rito e não para brilhar. Isso será fácil, é claro, se a equipe musical estiver ciente disso; caso contrário nunca haverá decisões claras nesse sentido, apenas opiniões de gosto pessoal sobre o assunto. Em cada Missa deve-se fazer uma seleção de textos pertencentes ao tempo litúrgico daquela Missa, provenientes das leituras e levando em consideração a conversa com o sacerdote; deve-se adaptar ao caráter específico de cada uma dessas partes, da entrada à despedida.

Guia prático

equipe de liturgia preparando cantos com a Bíblia e o folheto da missa sobre a mesa

Escolher cantos coerentes com cada momento da Missa e com o tempo litúrgico, favorecendo a participação da assembleia.

Dificuldade
Média
Tempo estimado
1 a 2 horas de preparação
Passo a passo
6

Seu roteiro

  1. Tenha certeza de que você sabe…
  2. Leia as leituras do dia
  3. Pode haver qualquer referência à memória…
  4. Pergunte ao padre se ele vai…
  5. Observe se a celebração é solenidade
  6. Tenha uma lista com alguma folga

Dica chave

A música serve ao rito. Prepare o repertório com antecedência, leia as leituras e dialogue com o sacerdote antes de definir os cantos.

Ideal para equipes de liturgia, ministros de música e coordenadores de canto que preparam o repertório das celebrações.

O que você precisa

  • Calendário litúrgico
  • Leituras do dia
  • Folheto ou livro de cantos
  • Lista de cantos aprovados
  • Contato com o sacerdote
Ver o passo a passo

O princípio que orienta toda escolha: a música serve ao rito

A Música Litúrgica tem o caráter de ser um componente intrínseco do evento religioso, em oposição a ser um adorno para despertar a sentimentalidade. Isso implica que tanto o coro como os músicos estão servindo a um fim maior, ou seja o encontro de Deus no ritual pela comunidade. Se os papéis se invertem a música se torna sem sentido.

Nem o coro nem os músicos substituem o povo, mas sim sustentam, incentivam e guiam a participação da assembleia. Portanto, o princípio chave aqui é a promoção da participação ativa dos fiéis. Uma peça musical que a comunidade não consegue acompanhar, por ser muito complexa ou por ter uma letra que o povo não entende, fracassa como canto litúrgico, mesmo que seja tecnicamente perfeita.

O que isso muda na prática

E se alguém está escolhendo uma peça musical é importante perguntar “Essa música ajuda a assembleia a rezar este momento?” ao invés de perguntar “Qual é a música mais bonita?” O mesmo vale para a escolha do repertório, para o arranjo e para o volume dos instrumentos. A música serve ao rito, e não o contrário.

Dica para a equipe: Antes de decidir uma música é bom praticar perguntar se a música dá até mesmo a uma pessoa amadora a capacidade de acompanhar o ritmo pelo menos em algum grau.

assembleia cantando durante missa com coral ao fundo, igreja católica

Antes de escolher: preparação e diálogo com o sacerdote

Você não deve escolher um lugar sem antes saber que tipo de Missa é. Para improvisar ou essa noção de determinar o repertório logo após você ativar o som geralmente não acontece muito bem. Os preparativos começam dias antes com base no diálogo real.

  1. Tenha certeza de que você sabe o horário litúrgico no qual irá realizar a celebração. Cada horário litúrgico tem cantos próprios os quais não podem ser trocados de maneira alguma. Não há comparação entre ter uma liturgia de domingo ou uma liturgia de um dia de semana.
  2. Leia as leituras do dia, particularmente o Evangelho. Esses textos fornecem os rumos do repertório. Caso os textos falem de fé, oração ou perseverança, as músicas devem de alguma forma se adequar a esses temas, sem fazer comparações forçadas.
  3. Pode haver qualquer referência à memória ou ao propósito associado ao santo especial para o qual seria necessário ter uma melodia apropriada.
  4. Pergunte ao padre se ele vai acrescentar algo. Ele pode celebrar uma missa votiva ou pedir um canto próprio. Este diálogo evita surpresas no dia.
  5. Observe se a celebração é solenidade. A própria semana em que ocorre a solenidade envolve o Glória, o que por si só altera o canto.
  6. Tenha uma lista com alguma folga. Tenha algumas opções alternativas disponíveis para cada momento porque a assembleia e/ou o celebrante podem te levar por outro caminho. O que isso lhe dará é um repertório coerente com pouco improviso necessário de última hora.

Atenção: A preparação não se resume apenas em escolher as músicas mas também requer que se pratique com o grupo e se garanta que os textos estejam de acordo com a liturgia.

equipe de liturgia reunida preparando repertório com folheto e bíblia sobre mesa

O caráter de cada momento da Missa

Cada etapa da Missa tem sua própria personalidade e o canto tem que “vestir” essa personalidade. Não há necessidade de mudar constantemente de estilo nem de seguir algumas tendências da moda. Abaixo estão mencionadas as etapas da Missa e os estilos apropriados.

Canto de entrada

Essa abertura nos encaminha ao encontro de Deus. Portanto podemos assumir a presença de um clima de festa e de alegria nesse momento; é por isso que a melodia deve ser alegre. Isso não significa que ela precisa ter um ritmo acelerado; ela tem que ser um tipo de melodia que acolha e reúna a assembleia. Evite cantos longos ou com muitas estrofes que atrasem a procissão.

Ato penitencial e Glória

Um ato penitencial, por outro lado, envolve a reflexão e exige uma música tranquila e serena que proclame a misericórdia e a soberania de Jesus. Ao cantar o Glória é importante ater-se à letra, pois é uma das partes fixas e deve ser entoado exatamente como está escrito, não cabendo adaptações criativas. Essa canção deve permanecer inalterada.

Oferitório e partes fixas

O canto que vem sem uma oferenda virá durante a oferta do pão e do vinho junto com o padre. O clima de dar terá sido criado através da música. As partes da missa são o Gloria, o Santo, o Cordeiro de Deus, Nosso Pai e depois o Amém na Gloria. Tudo isso é para ser cantado como está sem substituições para qualquer palavra que possa dizer muito sobre o mesmo assunto.

Comunhão e canto final

A comunhão é acompanhada pelo uso de canções que promovem o recolhimento e a ação de graças sem que a situação se torne um show. Por fim a canção serve para fazer a assembleia sair alegre e na companhia de Deus, da Virgem Maria e também dos anjos. Esta é uma canção de despedida, e por isso costuma ser mais leve, mas sem perder a dignidade.

  • Entrada: festivo e acolhedor.
  • Ato penitencial: calmo, centrado na misericórdia.
  • Glória, Santo, Cordeiro: texto fixo, sem alterações.
  • Oferitório: clima de entrega.
  • Comunhão: recolhimento e gratidão.
  • Final: alegria e envio.

Detalhe que passa despercebido: O Amém após a glorificação é uma resposta fixa, a qual pode até ser cantada. Esta etapa é muitas vezes esquecida por muitas equipes durante o rito.

momentos da missa católica, procissão de entrada com canto

Tempo Comum e outros tempos litúrgicos

O Tempo Comum não é o “tempo neutro” – ele possui suas qualidades e assim como qualquer outro tempo requer uma música que capture o espírito da vida da Igreja. O Repertório deve depender do caráter da festa celebrada seja ela num domingo ou em qualquer dia da semana, seja ela no meio da semana e de quais leituras se concentram. Não é um catálogo fechado de “canções para o Tempo Comum” mas sim um certo princípio -a conformidade com o momento da liturgia.

E em outros lugares a lógica é a mesma só com outro conjunto de acentos. Deve haver uma antecipação no Advento; A Quaresma deve ser acompanhada de penitência; E a Páscoa de alegria e de triunfo. Uma melodia especial que se adequaria à Quaresma não pode ser tocada na Páscoa simplesmente porque é uma grande melodia.

Semana, domingo e solenidade

Existe uma distinção entre a missa semanal e a missa dominical e isso influencia na escolha do repertório. A missa dominical costuma ter mais recursos e um número maior de pessoas, enquanto a missa semanal pode exigir o uso de músicas mais simples. Porém, mesmo durante a semana, quando há uma solenidade, deve-se cantar o Glória e tende a um tom mais festivo.

Ambiente, público e participação da assembleia

Não existe também nada parecido com um repertório universal. Enquanto algumas peças podem soar esplêndidas quando são executadas por coros juntos com um organista em uma catedral, outras podem não conseguir fazer nenhum tipo de impressão se houver apenas um guitarrista e uma folha de música fotocopiada para se contar no serviço de uma capela do campo. Os fatores a serem levados em conta na hora de escolher incluem sua localização e a idade e o gênero da composição das pessoas esperadas para cantar hinos e salmos.

O objetivo continua a ser a participação das pessoas. E se a assembleia não conseguir acompanhar, então inevitavelmente perde-se parte do sentido do canto. Não se quer dizer que o nível da música litúrgica deva ser diminuído, mas sim adequar a linguagem musical e a complexidade à comunidade real em vez de uma ideal.

Recursos disponíveis

No que diz respeito a ter ou não ter órgãos ou um piano, guitarras ou qualquer outro instrumento musical não importa. Mesmo no que diz respeito ao fato de um coro ter sido preparado ou apenas alguns cantores o importante não é o que nós queremos fazer mas sim o que pode ser feito.

comunidade rural cantando na missa com folheto de cantos

Erros comuns a evitar

Alguns equívocos se repetem e podem ser evitados com atenção. Não são falhas graves isoladas, mas hábitos que comprometem a liturgia.

  • Improviso: Descreva o repertório sem fazer referência à época litúrgica, às lições e às instruções do padre no momento. A preparação faz parte da Missa.
  • Transformar a Missa em show: A missa não é o local onde alguém pode divulgar seu ministério, seus álbuns ou mesmo o lançamento de qualquer tipo de música se não se encaixar na liturgia. A fama do grupo diminui o propósito da liturgia.
  • Alterar as partes fixas: A glória, o Santo, o Cordeiro e o Pai-Nosso são ritos e devem ser cantados exatamente como estão escritos. Substituir esses por outras canções com letras diferentes ou repetições desnecessárias derrota o propósito da consistência litúrgica.
  • Usar cantos não aprovados: Isso deve ter aprovação da autoridade competente, garantindo assim a dignidade e a unidade. Não é um processo burocrático, é sim a proteção da fé da assembleia.

Não cometer esses erros automaticamente garante uma qualidade muito maior da música usada durante a Missa. O resto virá com a prática.

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